O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse, nesta terça-feira (19/5), que teme que a autarquia seja “asfixiada” porque “não entra em jogo político”. A fala ocorreu durante audiência pública realizada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Aos questionamentos dos senadores, em especial do presidente do colegiado, Renan Calheiros (MDB-AL), sobre a atuação do BC no caso do Banco Master, Galípolo defendeu que o Banco Central deve “resistir a pressões” externas e viéses políticos.
“O Banco Central é uma instituição que não vai botar para jogo o seu mandato. O meu receio é de que o fato do Banco Central não negociar o seu mandato o faça ser asfixiado porque não entra em jogo político. Ou quiçá um dia possa ser presidido por alguém que tope”, afirmou.
A declaração se deu em razão de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia do BC.
O texto transforma a instituição em uma empresa pública de natureza especial, com independência administrativa, financeira e orçamentária, além da autonomia operacional garantida por lei desde 2021.
Galípolo é um firme defensor da proposta e chegou a defender a autonomia da autarquia na comissão.
Mais cedo, disse que o BC sofre defasagem orçamentária, o que afeta a capacidade de fiscalização do sistema financeiro. O economista citou que a autarquia foi alvo de um ataque reputacional pela atuação no processo de liquidação do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
“Vou ser talvez mais franco do que eu devia: o que vai começar a acontecer é que o Banco Central, ciente de que o cobertor é curto, a gente vai ter de escolher o que a gente cobre e (o que) a gente não cobre. A gente vai ter de começar a fazer uma gestão de risco, dizendo assim. Não há pessoal para tudo”, enfatizou.
Fonte: Metrópoles










